Leia aqui um trecho de "concatenação", de Diogo Santiago:
Como afinal falar sobre encarceramento sem dizer que o cárcere, ainda que dilacere a dignidade, não consegue aniquilar o amor? Indignos também amam, repetia Apito. Apesar de tudo nós amamos, completava ele, segundo Pestana, disse Adamastor. Parece impossível, mas tudo é questão de ordem. Assim como não há escravo não há indigno, dizia Apito. Escravo não é essência, escravo não é estado, escravo só pode ser adjetivo, dizia Apito.
concatenação, de diogo santiago
Diogo Santiago (Recife, 1981) tem formação em Educação, Letras modernas eLiteratura francesa. É autor de Cinco fatias de uma dor urbana (2024); Figuranistas (2023);O Polvo (2022); e Asinus asinum fricat (2018, bilíngue FR-PT). Diversos textos seus foramademais publicados em antologias (Contos, Crônicas e Poemas de Natal; Brasil em Cordel;Poesia é Liberdade; Fluidos) e em revistas literárias (Ruído Manifesto, Sucuru, Tato Literário,Saruência).De resto, ele passa maior parte do tempo na Provença francesa, onde, para além deescrever e pesquisar, trabalha como revisor e tradutor.